terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

COTAS RACIAIS: UM DIREITO A RESISTÊNCIA

COTAS RACIAIS: UM DIREITO A RESISTÊNCIA.



A nota dos alunos cotistas ingressando nas universidades públicas aumentou em ritmo acelerado nesse primeiro semestre de 2016, já chega a ultrapassar a nota de alunos não cotista. Esse reflexo é uma grande vitória do movimento negro, que há 30 anos vem lutando por ações mais ações afirmativas de inclusão dos setores mais oprimidos nas universidades, o projeto é uma vitória, pois é o reconhecimento institucional de que o racismo ainda é um obstáculo também no acesso a educação superior de qualidade.

Com isso o debate sobre as cotas raciais também veio de forma mais intensiva, muito se questiona se o projeto não estaria de certa forma segregando, ou até mesmo enaltecendo atitudes racistas. Todo esse discurso advindo dos setores mais privilegiados da sociedade, nega que ainda vivemos em uma sociedade racista e hipocritamente ao mesmo tempo que atesta que, a inclusão de negros e negras nas universidades publicas através das cotas estaria rebaixando a qualidade de ensino, ou até mesmo tomando o lugar de quem pelo seu esforço meritocrático não conseguiu alcançar uma vaga.

Sabemos que o PLC 180/2008 que designa as cotas raciais aprovada em 2008, ainda precisa passar por muitas reformulações e aperfeiçoamentos e ainda se distancia do modelo ideal social e racial de universidade, a própria política de assistência estudantil precisa ser mencionada nesse fator. É preciso sempre também reafirmar que por mais que a lei tenha sido sancionada no governo Dilma em 2012, a luta é do movimento negro que há anos vem lutando por essa política.

A reação reacionária. A UFMG que é a 4° maior universidade pública do Brasil foi umas das universidades que mais recebeu alunos cotistas com notas superiores. O assunto mais comentando nas redes sociais na semana passada, foi o post de uma estudante branca que questiona a política de cotas raciais por não ter conseguido uma vaga no curso que pretendia, deixando em evidencia que isso somente ocorreu porque há uma grande quantidade de alunos cotistas na universidade. A estudante foi rebatida por Lorena Morena, negra e cotista que foi selecionada para uma das vagas no curso de Letras da UFMG. A reação é uma prova nítida de que o racismo ainda está impregnado na sociedade, de que ainda é perpetuada a ideia de que os negros não podem ocupar os lugares que lhe foram roubando historicamente.

A luta é longa e é preciso avançar! Nós negros e negras continuemos resistindo a toda essa ideia de que não podemos ocupar os mesmo lugares que os brancos ocupam. Não estamos ingressando nas universidades hoje somente por conta da cotas raciais, mas também porque somos capazes de conquistarmos nosso espaços, mesmo que por a séculos eles nos vem sendo negados.

Veja abaixo entrevista que fizemos com Lorena Morena, a estudante cotista, aprovada em 15o. lugar na UFMG, que foi vitima de racismo nas redes sociais:


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