Em qual torneira falta água?

Por Vanessa Portugal

Nenhuma confiança no Governo e nem no Congresso!

Porque não somos a favor desse Impeachment e não vamos ao dia 15

Luta contra as demissões

Trabalhadores da GM entram em greve contra demissões

A LUTA PELO DIREITO À CIDADE

O CARNAVAL DE BH 2015 NÃO ACABOU

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

COTAS RACIAIS: UM DIREITO A RESISTÊNCIA

COTAS RACIAIS: UM DIREITO A RESISTÊNCIA.



A nota dos alunos cotistas ingressando nas universidades públicas aumentou em ritmo acelerado nesse primeiro semestre de 2016, já chega a ultrapassar a nota de alunos não cotista. Esse reflexo é uma grande vitória do movimento negro, que há 30 anos vem lutando por ações mais ações afirmativas de inclusão dos setores mais oprimidos nas universidades, o projeto é uma vitória, pois é o reconhecimento institucional de que o racismo ainda é um obstáculo também no acesso a educação superior de qualidade.

Com isso o debate sobre as cotas raciais também veio de forma mais intensiva, muito se questiona se o projeto não estaria de certa forma segregando, ou até mesmo enaltecendo atitudes racistas. Todo esse discurso advindo dos setores mais privilegiados da sociedade, nega que ainda vivemos em uma sociedade racista e hipocritamente ao mesmo tempo que atesta que, a inclusão de negros e negras nas universidades publicas através das cotas estaria rebaixando a qualidade de ensino, ou até mesmo tomando o lugar de quem pelo seu esforço meritocrático não conseguiu alcançar uma vaga.

Sabemos que o PLC 180/2008 que designa as cotas raciais aprovada em 2008, ainda precisa passar por muitas reformulações e aperfeiçoamentos e ainda se distancia do modelo ideal social e racial de universidade, a própria política de assistência estudantil precisa ser mencionada nesse fator. É preciso sempre também reafirmar que por mais que a lei tenha sido sancionada no governo Dilma em 2012, a luta é do movimento negro que há anos vem lutando por essa política.

A reação reacionária. A UFMG que é a 4° maior universidade pública do Brasil foi umas das universidades que mais recebeu alunos cotistas com notas superiores. O assunto mais comentando nas redes sociais na semana passada, foi o post de uma estudante branca que questiona a política de cotas raciais por não ter conseguido uma vaga no curso que pretendia, deixando em evidencia que isso somente ocorreu porque há uma grande quantidade de alunos cotistas na universidade. A estudante foi rebatida por Lorena Morena, negra e cotista que foi selecionada para uma das vagas no curso de Letras da UFMG. A reação é uma prova nítida de que o racismo ainda está impregnado na sociedade, de que ainda é perpetuada a ideia de que os negros não podem ocupar os lugares que lhe foram roubando historicamente.

A luta é longa e é preciso avançar! Nós negros e negras continuemos resistindo a toda essa ideia de que não podemos ocupar os mesmo lugares que os brancos ocupam. Não estamos ingressando nas universidades hoje somente por conta da cotas raciais, mas também porque somos capazes de conquistarmos nosso espaços, mesmo que por a séculos eles nos vem sendo negados.

Veja abaixo entrevista que fizemos com Lorena Morena, a estudante cotista, aprovada em 15o. lugar na UFMG, que foi vitima de racismo nas redes sociais:


sábado, 16 de janeiro de 2016

Um ano de Pimentel-PT no governo de Minas


Ao lado dos grandes empresários e mineradores contra trabalhadores e população mais pobre.

Faz um ano que Pimentel e o PT assumiram o governo de Minas. Uma ampla frente dos partidos que conformam a base aliada do governo federal capitalizou o enorme desgaste de 12 anos de governos do PSDB. O que gerou grandes expectativas em vários setores populares e, principalmente, no funcionalismo estadual.
Nesse período Pimentel mostrou que, ao contrário do que prometeu, é continuidade da gestão do PSDB. Sua política visa privilegiar grandes empresas, mineradoras, empreiteiras, e aplica à risca o ajuste fiscal do governo federal.
Pimentel também enfrenta investigações e denúncias sobre o financiamento de sua campanha eleitoral. A opção do PT de governar para os ricos e grandes empresas, e de entrar na lógica da democracia burguesa, leva, inevitavelmente, ao jogo do vale-tudo eleitoral. Inclusive entrar nos esquemas que a direita sempre se utilizou. O conjunto das políticas públicas levadas a cabo por Pimentel beneficiam os ricos de sempre. E é aí que se encontra a raiz do comportamento deste governo.

Pimentel aplica ajuste fiscal e penaliza população.

Todas as medidas de Pimentel seguem a aplicação do ajuste fiscal imposto por Dilma e o PT. Algumas medidas recentes mostram isso. A demissão de quase 60 mil profissionais da educação afetados pela Lei 100, mais um aumento de passagens, e os atrasos nos pagamentos do funcionalismo estadual. Seguem esses passos as prefeituras de várias cidades, sejam governadas por partidos da base aliada, sejam comandadas pela oposição de direita.
As promessas da campanha eleitoral foram sumariamente esquecidas. Os trabalhadores da educação, após ameaça de greve, assinaram um acordo que prevê o pagamento do piso nacional somente em 2018, e até lá, será pago como abono salarial de forma escalonada. Mesmo esse acordo corre o risco de não ser cumprido, como já vem ocorrendo com algumas cláusulas, por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal em que os governos petistas insistem em seguir.
As tarifas residenciais da conta de luz subiram 50%, que se já eram as maiores do país na era PSDB agora se superaram. Tudo isso para garantir o lucro dos acionistas, como a Construtora Andrade Gutierrez. As terceirizações continuam e os trabalhadores estão numa greve há 50 dias por aumento nos salários, PLR linear, fim das terceirizações e manutenção dos direitos, sem obter nenhuma

negociação efetiva do governo. A água também aumentou 15%, bem acima da inflação do período.
As passagens de ônibus tiveram três aumentos. Nas periferias as passagens já estão em torno de R$ 5,00. Em algumas cidades próximas, como Pedro Leopoldo e Matozinhos, já estão nos R$ 10,00. Existe uma aliança espúria entre o governo estadual e prefeituras governadas pelo PT, PSDB, PSB, PCdoB, para garantir interesses dos grupos que controlam o transporte no Estado. Essa situação é muito grave. Com o aumento do desemprego milhões tem que tirar dinheiro do próprio bolso diariamente para procurar emprego e encontram tarifas abusivas como essa.
São as escolhas e a prática deste governo que mostram a opção de governar para aqueles que o PSDB sempre governou. Ou seja, longe de ser uma ruptura é mais uma continuidade. E em meio a uma grave crise econômica aplica medidas que pioram as condições de vida dos trabalhadores e da população mais pobre. A escolha de Pimentel é de aplicar o ajuste fiscal do governo federal que penaliza a população e segue pagando em dia os juros e serviços da dívida pública.

Mantém os privilégios das mineradoras

Outra postura que mostra que Pimentel é continuidade das gestões tucanas é a postura frente ao modelo de desenvolvimento econômico. Mantém o mesmo modelo de privilegiar as exportações de minério de ferro e produtos primários, enquanto a indústria de bens de capital vive a maior crise da história.
A política fiscal do governo Pimentel mantém os mesmos privilégios às mineradoras e banqueiros. Enquanto aumenta ICMS sobre alguns produtos, em que o custo foi repassado a população, mantém isenta deste imposto a mineração para exportações, como prevê a Lei Kandir. Porém, neste um ano o governo não mexeu uma palha para mudar isso. Ao contrário, o PT batalha para manter as baixíssimas taxas sobre a mineração em discussão do Novo Código Minerário.
No caso do crime da Samarco, em Mariana, a postura do governo estadual é vergonhosa. Após o rompimento da barragem que causou o maior desastre ambiental do país, destruiu o Rio Doce, os distritos de Bento Rodrigues e Paracatu, praias no Espírito Santo, e coloca em risco milhares de empregos, o governo Pimentel se comportou como relações públicas da Samarco. Para piorar, Pimentel conseguiu aprovar um projeto de lei que agiliza a concessão de licenças ambientais para novos projetos minerários, o que aumenta riscos de mais desastres.
Sobre a bandeira da reestatização da Vale e de outras empresas privatizadas, como da Açominas, um silêncio complacente, obviamente subsidiado pelo dinheiro investido na campanha eleitoral de Pimentel e do PT.
A estatização da mineração e outras empresas privatizadas a preços baixíssimos são importantes fontes reais para conter os efeitos da crise econômica. É preciso tirar a exploração mineral das mãos de um pequeno grupo de acionistas e colocá-las para atender os interesses dos trabalhadores e da população mineira, retirando o caráter predatório, respeitando o meio-ambiente, os direitos dos trabalhadores e das comunidades vizinhas.

Repressão aos movimentos sociais

No tratamento aos movimentos sociais o governo mantém uma política de falta de diálogo e repressão. Cria mesas de negociação intermináveis mas que não trazem soluções definitivas para as ocupações Izidora, Willian Rosa, etc. Outras foram desocupadas com ação truculenta da PM, como em Mateus Leme e Uberlândia.
A polícia militar agiu de forma truculenta contra os movimentos que lutam contra os aumentos de passagens, com dezenas de presos. Como agrediu covardemente uma manifestação pelo Fora Cunha, majoritariamente composta por mulheres, com provocação da polícia e dois presos.
Mas não é só o tratamento da polícia que é truculenta. A direção da CEMIG também apresenta práticas antissindicais contra os grevistas, também uma prática do governo do PSDB.  
As ações da PM foram totalmente avalizadas por Pimentel, que mantém a mesma estrutura herdada do regime militar e governos anteriores. Nenhuma palavra sobre democratização e desmilitarização da polícia.

Há recursos. Para enfrentar a crise é preciso mudar o modelo econômico.

Minas Gerais é um dos Estados mais afetados pela crise. A dependência por commodities foi aprofundada nos últimos anos. Com a queda dos seus preços no mercado internacional a situação complicou tanto a arrecadação estadual, quanto de prefeituras, e também ceifou milhares de empregos.
Na indústria a queda também é superior aqui no Estado. O emplacamento de carros em MG caiu 30%. A produção de minério de ferro, apesar de manter os níveis de produção em 2015, teve queda nos preços de 75% em relação a dois anos atrás. As previsões para 2016 são de queda na produção, mais queda dos preços e queda investimentos.
Os efeitos de toda essa crise para a classe trabalhadora é arrasador. Milhões de pais e mães de família ficam sem seu sustento. Milhares ficaram sem o seguro-desemprego por conta das mudanças nas regras de concessão promovidas pelo governo federal. A tendência agora é o agravamento para uma forte crise social.
Entendemos que só existe uma forma de enfrentar essa crise. É romper com essa lógica capitalista de preservar o lucro de banqueiros e grandes empresas à custa dos direitos e nível de vida dos trabalhadores.
O PSTU entende que nesta crise é preciso estatizar as grandes empresas que demitem, a começar pela Samarco, que promoveu o maior desastre ambiental da história do país, mas também Usiminas, Gerdau Açominas, etc... Assim como a Vale e de todo o setor de mineração. É preciso concentrar recursos nas mãos do Estado para ter dinheiro para investir num programa de obras públicas, com a construção de hospitais, escolas de qualidade, ferrovias, transporte público, moradias de qualidade, urbanização e saneamento. Para nós, essa estatização tem que colocar o controle dessas empresas nas mãos dos trabalhadores.
É preciso ter consciência que apesar da crise essas grandes empresas continuam enviando bilhões de reais para os acionistas.

Nenhuma confiança em Pimentel. Por um governo dos trabalhadores!

Nós, do PSTU, vimos alertando a classe trabalhadora mineira para não depositar nenhuma confiança no governo Pimentel e no PT. Já nas eleições isso estava claro, por conta do financiamento da campanha eleitoral por mineradoras, bancos e grandes empresários. Passados 12 meses de mandato os problemas herdados dos governos do PSDB não só permanecem, como se agravam, com a crise econômica e o crime da Samarco.
Esse é o mesmo PT de Dilma, que junto com sua base aliada, aplicam o ajuste fiscal e agora querem aplicar a Reforma da Previdência e colocar o trabalhador para aposentar com no mínimo 67 anos de idade.
Pimentel, o PT e os partidos da base aliada, dão mostras que farão de tudo para manter as bases deste modelo semi-colonial, dependente das exportações de matérias-primas, e atrelados às multinacionais, com suas remessas de lucro.
Neste momento milhares de trabalhadores continuam perdendo seus empregos. A CSN anunciou 950 demissões em MG, e outras 3.000 em Volta Redonda, RJ. A Usiminas anunciou 4.000 em Ipatinga e Santos. A Vale anunciou uma reestruturação que pode comprometer o emprego de milhares de operários. Na categoria metalúrgica cerca de 70 mil trabalhadores perderam seus empregos.
Felizmente a resistência já vem aumentando. A histórica greve dos trabalhadores da CEMIG e agora a resistência do funcionalismo estadual contra os atrasos nos pagamentos já mostram que os rumos desse governo são o mesmo de Dilma. A polícia militar e civil, e os bombeiros, também se organizam. Dia 27 de janeiro pode ser um dia de greve geral do funcionalismo estadual.
É preciso que as organizações dos trabalhadores como a CUT, CTB, MST, MAB, rompam com os governos Dilma e Pimentel e que preparemos uma grande jornada de lutas rumo a greve geral contra o ajuste fiscal, a Reforma da Previdência, os ataques ao funcionalismo, e ao nível de vida da classe trabalhadora.
A CSPConlutas está convocando uma plenária do Espaço Unidade de Ação para o dia 22 de janeiro. Este é um importante espaço para organizações de esquerda independente tanto do governo Dilma quanto da Oposição de Direita.

Defendemos um conjunto de medidas para enfrentar a crise e os grandes capitalistas:

- Romper imediatamente com a Lei de Responsabilidade Fiscal que prioriza o pagamento das dívidas aos banqueiros e empreiteiras corruptas. É preciso uma lei de Responsabilidade Social para priorizar os gastos nas áreas sociais.
- Reestatizar as empresas privatizadas, sob o controle dos trabalhadores e sem indenização: reverter os processos de privatização da Vale, Açominas, Usiminas, CSN.
- Estatização da Samarco para usar os seus recursos para reconstruir as regiões atingidas pelo crime ambiental. Prisão e confisco dos bens dos executivos da empresa.
- Confisco das ações privadas pertencentes à Andrade Gutierrez e outros acionistas da CEMIG. Tarifa social para todos os trabalhadores.
- Auditoria popular nas contas dos governos do PSDB: é preciso fazer uma auditoria dos movimentos sociais nas contas dos governos anteriores e revisar os contratos com empreiteiras e fornecedores. Bilhões foram gastos sem resolver os principais problemas da população;
- Suspensão imediata do pagamento da dívida pública.
- Estatizar o transporte público no Estado: É preciso criar uma empresa estatal de transporte público para baixar os preços das passagens e, além disso, ampliar o metrô da capital para a grande BH. Transporte ferroviário para todas as regiões do Estado.
- Reforma Agrária: É preciso tomar as terras das grandes empresas que “grilharam” milhões de hectares e servem somente a especulação, fazer a reforma agrária.
- Piso Nacional para educação já!
- 30 horas para os trabalhadores da saúde já.
- Nenhuma confiança em Pimentel e no PT.

- Fora Todos Eles! Fora Dilma, Cunha, Temer, Aécio, PT, PMDB, PSDB! 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Governo do PT quer acelerar licenças ambientais às mineradoras

por Zé Maria de Almeida

Parece brincadeira do sensacionalista, mas não é. Pelo contrário, é muito sério. Não se passou nem um mês da tragédia de Mariana (MG), e o governo mineiro do PT, do governador Fernando Pimentel, apresentou projeto de lei à Assembleia Legislativa de Minas para acelerar as concessões ambientais às empresas de mineração.O projeto foi aprovado nesta quarta, 25 de novembro, pela Assembleia e agora o Secretário de Meio Ambiente terá autoridade para conceder licenças em "casos prioritários". Não será mais preciso passar pela avaliação do Conselho Estadual de Política Ambiental, tornando o processo de licitação mais susceptível à corrupção e à pressão das mineradoras. Vai no caminho contrário que esta tragédia mostrou o que é o correto: a comunidade realmente opinar sobre a instalação dessas mineradoras na região.
 
É um verdadeiro absurdo! E mostra bem qual é a preocupação do governo neste momento... é dar segurança aos seus financiadores de Campanha (R$ 3,5 milhões doados pelas mineradoras apenas ao PT em Minas Gerais, sem contar as doações diretas aos parlamentares e diretório nacional) que tudo vai ficar como está, aliás, vai ficar melhor pra eles. 
 
Não há como negar: a rapidez em garantir as licitações das mineradoras em um momento que a atuação destas multinacionais é questionada pelo país ocorre na mesma proporção que é a omissão e a lerdeza em punir os responsáveis pela tragédia. Ninguém da direção da Samarco/Vale foi preso. Até agora, não  foi imposto a estas empresas o custo da tragédia para garantir a reconstrução das vidas das famílias, da cidade e recuperação do meio ambiente. Pelo contrário, a multinacional faz chantagem com o emprego dos trabalhadores.
 
Enquanto vidas foram destruídas, a preocupação dos governos é salvar as mineradoras. 

Distrito de Bento Rodrigues destruído pela mineradora


Fonte original:http://www.pstu.org.br/node/21815


terça-feira, 24 de novembro de 2015

Trabalhadores, ambientalistas e comunidades afetadas pela mineração protestam contra a Samarco (Vale/ BHP Billiton) em Belo Horizonte

Nos últimos dias, vem ocorrendo em Belo Horizonte diversas mobilizações populares que expressam a indignação da população com a negligencia da empresa Samarco (Vale/BHP Billiton) que provocou no último dia 05 de novembro em Mariana, o maior desastre ambiental registrado na história do país. No dia 17 de novembro cerca de 500 pessoas participaram de um debate público na Faculdade de Direito da UFMG onde diversos movimentos sociais apresentaram seus pontos de vista sobre as causas do rompimento da barragem de rejeitos em Mariana.

Dia 21 de novembro, cerca de 350 pessoas participaram de um ato e uma marcha até o Memorial da Vale na Praça da Liberdade. Os manifestantes exigiam a punição da diretoria da Samarco, ressarcimento dos prejuízos dos atingidos, e a estatização da Samarco, assim como de importantes empresas mineradoras como Vale e CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) que até a década de 1990 eram estatais.


Entre as falas podemos destacar a de comunidades que estão para ser atingidas por novos projetos da Vale e outras mineradoras. Em Rio Acima, município localizado na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) a Vale quer implementar o “Projeto de Desenvolvimento do Complexo Vargem Grande” que visa construir, dentre outros projetos estruturais, uma imensa barragem de rejeitos, considerada superior a que rompeu em Mariana. De acordo com os movimentos ambientalistas, a região pleiteada pela empresa está localizada em uma área de preservação ambiental, que atualmente encontra-se em processo de tombamento e que fica a aproximadamente 1 km do Rio das Velhas e a menos de 6 km do município de Rio Acima. De acordo com os estudos apresentados pela própria empresa, o Córrego Fazenda Velha desaparecerá para sempre caso o projeto seja aprovado pelo Estado de Minas Gerais. Se isso acontecer, mais uma vez comunidades e trabalhadores estarão sujeitos a este modelo econômico que visa apenas enriquecer um pequeno setor da sociedade.

Comunidades nos municípios de Conceição da Mato Dentro também se mobilizam contra novos projetos da Anglo American. Os impactos da mineração na região já são sentidos desde o início da construção do mineroduto Minas-Rio, o maior do mundo, iniciado pelo “herói” de Lula, Eike Batista, e repassado a Anglo American. Na época foram denunciados invasões de terrenos, soterramento de nascentes, aumento da violência e até denúncias de trabalho escravo e agora o Anglo American quer ampliar sua produção e assim ameaça outras comunidades da região.

A CSP-Conlutas denunciou no ato que a atual voracidade da Vale e outras mineradoras tem consequências muito graves. Nos últimos 10 anos mais de 400 trabalhadores perderam a vida em acidentes na mineração. Os casos são tão graves que apenas uma semana após o acidente em Mariana um trabalhador morreu em uma mina da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), em Arcos, Centro-Oeste mineiro.

Por outro lado foram denunciados ainda vários projetos que buscam flexibilizar o licenciamento ambiental necessário para novos projetos minerários. Políticos como Pimentel, Dilma e Leonardo Quintão recebem dinheiro das mineradoras, através de doações eleitorais, para enviar projetos de lei neste sentido.



Por fim, denunciamos a privatização da Vale e atual voracidade por lucros como principais causadoras dos desastres ambientais, de acidentes do trabalho, e desrespeitos aos direitos humanos da população. Entendemos que a mineração nas mãos desses grandes grupos privados levará a mais desastres, que vem se ampliando muito nos últimos anos.

Para possibilitar um uso racional da mineração é preciso reestatizar a Vale sob o controle dos trabalhadores e das comunidades. Esse é um primeiro passo para barrar a sede de lucro e os desastres. Mas o uso racional da mineração somente é possível no marco de uma sociedade organizada a partir dos interesses da classe trabalhadora. É praticamente impossível que na atual fase do sistema capitalista seja possível humanizá-lo. Ao contrário, cada vez fica mais evidente o caráter de barbárie que poderá levar a mais destruição ambiental e social.

Em uma sociedade socialista é possível desenvolver as forças produtivas e garantir que sejam respeitados todos os aspectos da vida. A mineração é extremamente necessária mas nas mãos dos capitalistas não leva a desenvolvimento. Os trabalhadores e as comunidades podem sim utilizar a mineração para desenvolvimento racional e sustentável, respeitando as nascentes, a natureza, do ponto de vista dos trabalhadores. Um sistema assim só é possível no Socialismo.

domingo, 22 de novembro de 2015

Marcha da Periferia lembra Zumbi e Dandara e luta contra o genocídio do povo negro

Secretaria de Negras e Negros do PSTU

No dia 20 de novembro é celebrado o Dia da Consciência Negra, pois no ano de 1695 morreu degolada a maior liderança negra da história do Brasil, Zumbi dos Palmares. A luta de Zumbi, bem como a resistência do Quilombo de Palmares, que alcançou uma população de 30 mil habitantes, tem grande importância para o resgate histórico afrodescendente e valorização do povo negro.

Em Belo Horizonte realizamos na última sexta a III Marcha da Periferia. Mesmo debaixo de chuva, participaram cerca de 200 pessoas, que se concentraram na Praça do Peixe no bairro Lagoinha (um dos primeiros bairros de periferia a se formar na cidade planejada de Belo Horizonte), que ao som dos tambores de guerra, seguiram rumo a Praça 7, no centro da Capital. Construíram a Marcha o Movimento Negro Quilombo Raça e Classe, Bombos de Iroko, Associação dos Barraqueiros do Mineirão, moradores das ocupações Willian Rosa, Guaraní Kaiowá e Terra Nossa e ainda estavam presentes representantes da CSP-Conlutas, Assembleia Nacional dos Estudantes Livre (Anel), Movimento Passe Livre (MPL), Frente Terra e Autonomia (FTA), Movimento Terra e Liberdade (MTL), Movimento Mulheres em Luta (MML), Coletivo Mineiro Popular Anarquista (COMPA) e PSTU.



Essa marcha foi parte de um movimento nacional que busca resgatar a resistência dos quilombos, se sobrepor à conciliação de classes e ter como pauta as reivindicações históricas do povo negro. Este ano teve como centro a luta pelo fim do genocídio da juventude negra, mas também manifestou contra o aumento da violência à mulher negra, a lei de redução da maioridade penal e o “ajuste fiscal racista” de Dilma que ataca o povo negro do campo e da cidade. A marcha também aconteceu em diversos bairros da periferia de São Paulo (SP), São José dos Campos (SP), Guarulhos (SP), em Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ), São Luís (MA), Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS), Fortaleza (CE), Recife (PE), Maceió (AL).

É importante ainda lembrar que no dia 20 de novembro também é marcado pelo calendário LGBT como Dia da Memória Trans. Esse dia foi escolhido exatamente porque na mesma data uma trans negra foi morta no EUA. Por isso a nossa luta é contra toda forma de opressão! Assim negros, mulheres e trans caminharam lado a lado nesse 20 de Novembro em BH!

Grupo de Maracatu Bombos de Iroko 

Associação dos Barraqueiros do Mineirão

Movimento Luta Popular

CSP-Conlutas Central Sindical e Popular

Movimento Negro Quilombo Raça e Classe 

Criança da Ocupação Willian Rosa com a Bandeira do PSTU

Helenita Santos - QRC 


Janaina - Anel

Izabela e Camila - Anel

Cristal Lopez: mulher, negra e LGBT. Uma guerreira!

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Em defesa da vida, do emprego e da natureza!

"Existe uma falsa polêmica se estabelecendo na nossa Cidade de Mariana. O prefeito, em mais de uma ocasião, inclusive na matéria de ontem na Globo News declarou que é contra o fechamento da Mineração. 

Creio que todos em Mariana são contra o fechamento da mineração na cidade. Não conheço ninguém que queira acabar com esta importante fonte de recursos e de emprego.

O que sim somos contra é a irresponsabilidade das grandes mineradoras que exploram as riquezas de nossa cidades, levam bilhões daqui e deixam destruição e pobreza para nosso povo.

Propor doar 10 milhões de dinheiro público para a Samarco, como fez o prefeito de Mariana no domingo, quando temos centenas de desabrigados e milhares de vitimas do rompimento da barragem é uma atitude, que para dizer o mínimo, mostra de que lado está o prefeito.

Nós propomos algo absolutamente distinto: 
  • prisão para os responsáveis pelo tragédia de Mariana, 
  • indenização de todas as vítimas, 
  • reversão dos danos ambientais. 

Está claro que os acionistas da Samarco não tem condição de seguir administrando esta empresa. Queremos que a Samarco seja estatizada sob o controle dos trabalhadores.⁠⁠"


Valério Vieira
Militante do PSTU e diretor do Sindicato Metabase Inconfidentes